Apresenta em uma instalação-suporte cartografias elaboradas crítica, coletiva e colaborativamente que contam enredos de diferentes territórios, etnias, perspectivas, biomas e formas de agenciamento originárias vivenciadas no Estado do Paraná. A mostra convida o público a refletir sobre a contribuição dos saberes dos povos ancestrais para a transformação do cenário climático que se apresenta no horizonte. Com curadoria compartilhada entre o artesão e liderança Xetá Dival da Silva, o antropólogo e pedagogo Kaingang Florencio Rekayg Fernandes, a professora Guarani Jani Jaxuka e a arquiteta Marina Oba, a exposição apresenta, de forma didática e interativa, as práticas espaciais coletivas protagonizadas por comunidades indígenas em seus territórios. A estrutura efêmera combina saberes acadêmicos e originários e consolida um espaço de reflexão e troca sobre o habitar indígena contemporâneo.
Comunidades Indígenas apresentam seus territórios ancestrais em primeira pessoa. Narram situações em que a TERRA é intencionalmente colocada em TRAMA. O barro no entremeado de taquara construindo paredes e definindo espaços; a geografia na urdidura das cartografias constituindo argumentos e delineando divisas; o verbo na tessitura das narrativas engendrando estratégias e traçando rumos. O conjunto de mapas produzidos crítica, coletiva e colaborativamente reúne enredos de Territórios Indígenas e tocam diferentes etnias, perspectivas, biomas e formas de agenciamento vivenciadas no Estado do Paraná e em suas vizinhanças.
Em busca de alternativa às experiências de documentação coloniais, que ao longo dos séculos forjaram – e seguem forjando – um universo originário exotizado e anacrônico, TERRA EM TRAMA ensaia a autorrepresentação específica na abordagem de um dos temas cruciais da luta Indígena: Territórios em disputa. São descritos na precisão acadêmica e anotados na precisão ancestral, de forma a constituir auto-retratos cartográficos. Os mapas discorrem sobre a presença e as relações entre Comunidades e seus Territórios implementando procedimentos das tradições oral e material Indígenas de sobreposição de camadas, aproveitamento inventivo e diversidade de expressões.
As pranchas anotadas apoiam-se em estrutura expositiva que, de forma similar, toma forma a partir da interação com os saberes tradicionais de construtores indígenas, sendo suporte para a transmissão de conhecimentos diversos pela prática construtiva. Traz em si o argumento de que estruturas expositivas, espaços livres, edifícios, cidades, florestas são fundamentalmente políticos e ferramentas cruciais para adiarmos tantos fins de tantos mundos.
Este projeto tem o patrocínio da Copel, por meio do Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura | PROFICE da Secretaria de Estado da Cultura | Governo do Estado do Paraná.
Há muitos entendimentos aceitos ao longo da produção historiográfica arquitetônica e embutidos na nossa formação que devem ser desaprendidos a fim de viabilizar aproximações mais saudáveis entre os campos da arquitetura e das lutas indígenas. É preciso, por exemplo, desconstruir a compreensão romantizada de que a arquitetura é uma frente de atuação de uma consciência maior, essencialmente benevolente, democrática e isenta. Pelo contrário, recorrentemente integrou (e segue integrando) um aparato tecnológico voltado à subjugação e à violência, replicando e pautando modelos tecnocráticos e discriminatórios contra povos racializados e comunidades tradicionais e originárias. De maneira complementar, é fundamental desfazer fetichizações sobre arquiteturas e espaços indígenas, entendendo-os não como românticos, primitivos e precários, mas como litigiosos, contemporâneos e abundantes. Porém, não é suficiente identificar e reconhecer atuações discriminatórias ao longo da constituição da disciplina. Faz-se fundamental incluir referenciais anteriormente invisibilizados e refletir sobre as formas de atuação e de reparação contemporâneas, desestruturantes, que abram espaço para escuta e aprendizado junto a tais populações.
Neste sentido, o livro Não é sobre arquitetura convida representantes e comunidades indígenas e pessoas que trabalham junto a contextos indígenas a descreverem as nuances de suas atuações. Os textos argumentam em conjunto que a discussão não é sobre arquitetura. Isto é, que na confluência entre cosmologias, devemos nos concentrar em entender a arquitetura não como o tema central, mas como mais uma ferramenta de atuação em mundos sob disputa, para um lado ou para outro. Colocar a escuta, o levantamento e o ofício acima da fala, do projeto e da classe.
O volume é dividido em três seções, cada uma delas não tratando de temas centrais da arquitetura. Desloca-se a atenção do desenhar, do construir e do ocupar, para quem o faz, por quais motivações e de que maneira. Foram reunidas experiências práticas de compreensão e intervenção em espaços derivados de processos, saberes, vivências e modos de vida originários. Os capítulos questionam definições estabelecidas nos campos de saber juruá e, ao apresentarem desafios reais, contribuem para a constituição de um ferramental de métodos e léxicos relacionados ao espaço. Valorizou-se na seleção de textos a diversidade das pessoas autoras, suas experiências, linguagens e tempos, refletidos também nas maneiras de expressão escrita e gráfica. As autorias, indígenas e não-indígenas, extrapolam o campo profissional da arquitetura, cruzando contribuições de outras disciplinas em momentos de encontro com o universo da arquitetura. Pauta-se a importância não apenas da transdisciplinaridade, mas também da indisciplina e da subversão na construção de diálogos por sobre fronteiras cosmológicas.
Muitas mãos escreveram as páginas desta obra, congregando saberes de territórios do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná, do Mato Grosso, de São Paulo, de Pernambuco, do Rio Grande Norte e do México. Trata-se de um retrato de uma trama de trocas que aconteceu ao longo do ano de 2025, mas também de uma vontade de fazer dela uma roda de conversa expandida, ampliada e inclusiva.
Hay muchas interpretaciones aceptadas a lo largo de la producción historiográfica arquitectónica y arraigadas en nuestra formación que deben desaprenderse para hacer posibles aproximaciones más saludables entre los campos de la arquitectura y las luchas indígenas. Es necesario, por ejemplo, deconstruir la comprensión romantizada según la cual la arquitectura es un ámbito de actuación de una conciencia mayor, esencialmente benevolente, democrática y neutral. Por el contrario, frecuentemente ha integrado (y sigue integrando) un aparato tecnológico orientado a la subyugación y a la violencia, replicando y basándose en modelos tecnocráticos y discriminatorios contra pueblos racializados y comunidades tradicionales y originarias. Además, es fundamental desmontar fetichizaciones de arquitecturas y espacios indígenas, entendiéndolos no como románticos, primitivos y precarios, sino como conflictivos, contemporáneos y abundantes. Sin embargo, no es suficiente identificar y reconocer prácticas discriminatorias a lo largo de la constitución de la disciplina. Resulta fundamental incluir referentes previamente invisibilizados y reflexionar sobre formas contemporáneas de actuación y reparación, desestructurantes, que abran espacio para la escucha y el aprendizaje con dichas poblaciones.
En este sentido, el libro Não é sobre arquitetura invita a representantes y comunidades indígenas y a personas que trabajan en contextos indígenas a describir los matices de sus prácticas. Los textos argumentan en conjunto que la discusión no es sobre arquitectura. Es decir, que en la confluencia de cosmologías, debemos concentrarnos en entender la arquitectura no como el tema central, sino como una herramienta más de actuación en mundos en disputa, en una o otra dirección. Poner la escucha, el levantamiento y el oficio por encima de la palabra, del proyecto y de la clase.
El volumen se divide en tres secciones, cada una de ellas no aborda temas centrales de la arquitectura. Se desplaza la atención del dibujar, del construir y del ocupar hacia quién lo hace, con qué motivaciones y de qué manera. Se reunieron experiencias prácticas de comprensión e intervención en espacios derivados de procesos, saberes, vivencias y modos de vida originarios. Los capítulos cuestionan definiciones establecidas en los campos del saber juruá y, al presentar desafíos reales, contribuyen a la construcción de un conjunto de herramientas, métodos y léxicos relacionados con el espacio. En la selección de textos se valoró la diversidad de las personas autoras, sus experiencias, lenguajes y tiempos, reflejados también en las maneras de expresión escrita y gráfica. Las autorías, indígenas y no indígenas, trascienden el campo profesional de la arquitectura, integrando contribuciones de otras disciplinas en momentos de encuentro con el universo de la arquitectura. Se destaca la importancia no solo de la transdisciplinariedad, sino también de la indisciplina y de la subversión en la construcción de diálogos a través de fronteras cosmológicas.
Muchas manos escribieron las páginas de esta obra, congregando saberes de territorios de los estados brasileños de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, São Paulo, Pernambuco y Rio Grande do Norte, y de México. Se trata de un retrato de una trama de intercambios que se desarrolló a lo largo del año 2025, pero también de una voluntad de convertirla en una ronda de conversación ampliada, abierta e inclusiva.
Este projeto tem o patrocínio da Copel, por meio do Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura | PROFICE da Secretaria de Estado da Cultura |